Não
é difícil notar o quanto a vida de Isaquias Queiroz mudou nos últimos
dias. O brasileiro de 22 anos conquistou três medalhas na canoagem da
Rio-2016 (duas pratas e um bronze) e se tornou o primeiro atleta
nacional a acumular tantos pódios em uma edição olímpica. Neste sábado
(20), depois da terceira prova, o público correspondeu: tratado como
astro, o canoísta precisou até de uma rota alternativa para escapar da
maratona de selfies com o público que estava na Lagoa Rodrigo de
Freitas, no Rio de Janeiro. Só é difícil notar algo diferente no
comportamento de Isaquias. Nos primeiros instantes como popstar, o
canoísta mostrou o mesmo estilo extrovertido e humilde que sempre marcou
sua trajetória.
“Não, pô! Eu sou o mesmo Isaquias. Continuo o
mesmo Isaquias sem rim. Normal”, disse o atleta. O canoísta perdeu um
rim quando tinha dez anos, após ter caído sobre uma pedra e sofrido
hemorragia. Depois disso, ganhou o apelido de "Sem Rim".
O
fragmento de conversa é um bom exemplo do quanto a Rio-2016 tem
transformado a vida de Isaquias. Até este ano, o Brasil jamais havia
frequentado o pódio olímpico da canoagem. Além de ter findado esse
jejum, o baiano de 22 anos saiu dos Jogos como o primeiro representante
nacional a ter três medalhas em uma edição dos Jogos.
As medalhas
de Isaquias na Rio-2016 foram coletadas na terça-feira (16), na quinta
(18) e no sábado (20). Afora o fato de a prova derradeira do brasileiro
ter sido realizada em um sábado, foi nítido o incremento gradual no
número de pessoas presentes na Lagoa Rodrigo de Freitas – não apenas nas
arquibancadas, mas nas grades que separam a rua e o estádio de
canoagem. Nesta manhã, uma hora antes do início da prova do canoísta, a
fila para entrar no local tinha mais de um quilômetro de extensão.
Depois
de Isaquias ter conquistado a prata, a maior parte desse público tentou
se aproximar do ídolo. O brasileiro comemorou no pódio e saiu de lá
enrolado com uma bandeira do país. Assim que chegou à zona mista
reservada a jornalistas de imprensa escrita, caminhou até um canto em
que era possível interagir com o público e atirou o símbolo nacional
para eles.
Isaquias também tirou selfies. Muitas selfies.
Solícito, o canoísta parou para dar atenção a praticamente todas as
pessoas que o abordaram. Sorriu, brincou e repetiu em um volume muito
maior o ritual que havia feito depois das provas anteriores.
Quando
tentou sair da zona mista e caminhar até a sala em que seria realizada a
entrevista coletiva dos medalhistas, Isaquias teve de parar. No portão
que separava o setor de imprensa e a área em que o público podia
circular, muitas pessoas se aglomeravam em busca de uma imagem com o
medalhista e gritavam o nome dele.
Ao ver o tamanho da
aglomeração, Marcus Vinicius Freire, diretor-executivo de esportes do
COB (Comitê Olímpico do Brasil), parou no meio do caminho e segurou
Isaquias. O cartola e outros membros do estafe que acompanha o canoísta
perceberam que seria impossível passar com o atleta no meio do público,
voltaram e resolveram percorrer de barco o caminho até a zona mista.
“A
visibilidade que a canoagem vai ter a partir de agora depende da gente.
Se a gente ganhar medalhas e representar bem o Brasil, as pessoas vão
olhar mais. A gente também tem de ter carisma e retribuir o amor da
torcida brasileira, que foi sensacional aqui”, disse Isaquias.
sábado, 20 de agosto de 2016
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